Metodologia para Análise de Balanços de uma Empresa – Parte I

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Hoje iniciarei uma sequência de textos sobre a análise de balanços de uma empresa.

O texto se trata de uma metodologia pessoal que utilizo. Cada um deve buscar a sua própria metodologia de análise, que mais combina com seu perfil e idéias. Recomendo utilizar a minha forma de análise como um guia, até mesmo uma introdução, já que não utilizo fórmulas mirabolantes ou métodos mais complicados. Como bem descreve o título, é a base da análise de empresas para investir.

Algumas fórmulas serão descritas para serem calculadas pelo leitor. Mas hoje em dia existem diversos sites já prontos com as principais fórmulas calculadas e resolvidas de cada empresa. Os dois sites que utilizo e recomendo são:

www.guiainvest.com.br

www.fundamentus.com.br

Nos próprios sites cada fórmula tem descrito o seu significado e o que ela representa, facilitando bastante a vida do investidor. Porém acredito que para entender realmente, é necessário uma explicação um pouco mais aprofundada sobre cada tema.

O início da filtragem das empresas

A filtragem inicia quando acesso uma lista de todas as empresas listadas na bolsa de valores

– Volume de Negociação dos últimos 21 dias.

Começo eliminando empresas que possuem um volume médio de negociação de suas ações nos últimos 21 dias, abaixo de 20 mil reais por mês.Este volume de negociação é muito baixo, a maioria dos investidores não investem em empresas com essa quantidade média de negociação. Mas ainda pode existir uma pérola escondida, justamente por não ter tantas pessoas acompanhando seus movimentos. O volume diário médio de 20 mil reais nos permite ter alguma liquidez para sair em situações de emergência. Abaixo de 20 mil, a ação se torna como um imóvel e levará algum tempo para vender todas as suas ações. Com a desvantagem maior de apresentar grande oscilação no valor dessas ações, podendo te deixar “preso” na ação.

– Valor de Mercado

Geralmente evito empresa com valor de mercado grande. O meu valor de mercado preferido é de empresas de até 5 bilhões de reais, chamada small caps. Exceto em casos especiais onde uma blue chip (empresas maiores e sólidas na bolsa onde o valor de suas ações apresentam uma menor oscilação) está extremamente desvalorizada, evito essas ações. Por serem empresas grandes e sólidas, representam um menor risco de investimento e consequentemente menor possibilidade de ganho, mesmo contando com dividendos generosos. É praticamente impossível uma Petrobrás duplicar o seu valor de mercado em 1 ano,  já uma companhia de 200 milhões não seria grande surpresa. E o que acontece se uma empresa duplica o seu valor de mercado? Isso mesmo, o valor de suas ações também duplicará.

– Variação do preço nos Últimos 365 dias

Não é motivo para a eliminação da empresa. Mas uma oscilação dos últimos 365 dias extremamente negativa , como -50%, me satisfaz muito mais que a oscilação de ações que subiram 30; 40 ;50% no último ano. O motivo é que esta oscilação obviamente se trata simplesmente de um aumento no preço de suas ações, deixando-as mais caras, sem o valor da empresa acompanhar com tal proporção. É bastante improvável que uma empresa listada na bolsa de valores apresentem um acréscimo de mais de 30% em seus lucros nos últimos 365 dias. Por isso este fator é desanimador, mas não é motivo de eliminação da companhia. Porque a empresa pode ter se recuperado de um prejuízo anterior, ou pode de fato ser uma empresa muito bem sucedida devido algum fator econômico ou particular, como as de construção civil foram nos últimos 6 anos.

– Preço / Lucro (P/L)

Se trata de uma das fórmulas mais básicas e uma das mais utilizadas para análise de empresa. Você divide o preço de uma ação pelo lucro por ação da empresa nos últimos 12 meses. Ou para facilitar, o preço de mercado atual da empresa, pelo lucro dos últimos 12 meses desta empresa. O P/L indica o tempo que a empresa demora para gerar em forma de lucro, o seu valor de mercado atual.

Ex: se uma empresa tem o valor de 100 e lucra 10 por ano, o seu P/L será de 10, pois 100 : 10 = 10 anos. Ela irá demorar os próximos 10 anos para lucrar o seu valor de mercado atual, o que fará ela duplicar de valor, já que 100 (do valor de mercado) + 100 ( do lucro gerado em 10 anos)  resultará em 200. Consequentemente este é o tempo que o acionista levará para recuperar o seu investimento.

Fica claro que quanto menor o P/L, melhor será o retorno, já que o investidor irá recuperar o seu investimento em menor tempo. Mas o P/L por si só não diz muita coisa sobre a empresa. Ele deve ser aliado a outros tipos de análise para certificarmos de fato que a empresa vale a pena investir. Empresas pouco lucrativas podem apresentarem um P/L baixo simplesmente porque os investidores não se interessam mais por ela, e simplesmente pararam de comprar ações desta empresa.

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Continuação: http://www.buyandhold.com.br/analise-de-negocios/

12 COMENTÁRIOS

  1. Excelente material, estou começando a investir em ações e achei seu método muito interessante. Grato por compartilhar seu conhecimento, vou continuar lendo seus artigos. Abraços,

  2. Muito bom este blog, também sou um estudioso da filosofia de investimento em valor. Mas tenho uma grande dificuldade para implementa-la mais pesadamente: nao sei como avaliar o preço da ação para ter uma nocão mesmo que rudimentar se está muita cara ou barata.

    • Na internet você encontra muitas coisas espalhadas. Recomendo que compre livros sobre o tema. Como avaliar empresas. E aprenda também indicadores da Análise Fundamentalista. É o básico para avaliar superficialmente. Se você quiser fazer avaliações mais aprofundadas, aí terá que partir para fórmulas um pouco mais complexas. Eu particularmente acho desnecessário. Sempre avalio “por alto”.

  3. Boa tarde ,o valor de mercado por definição é o número de ações multiplicado pelo o preço e o preço(cotação )varia de acordo com o crescimento dos lucros.Está correto o raciocínio?Parabéns pelo o site.

    • Olá Mariotauma.

      Muito obrigado por entrar no nosso blog e comentar! O valor de mercado é isso mesmo, o preço atual da ação multiplicado pelo número de ações da empresa. O valor da ação varia de acordo com o número de gente (e empresas) querendo comprar e vender. Ou seja, varia de acordo com oferta e demanda. Mas a tendência é que aumente à medida que a empresa lucre mais ano a ano. E a tendência é que diminua quando há prejuízo ou má perspectiva futura para a empresa. Mas isto não é regra. Porque quem decide o preço da ação são simplesmente as pessoas que investem nela. Abraços!

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